17 fevereiro 2012

Álcool e exercício

Os efeitos do álcool em relação ao exercício físico têm relatos que datam do início do século. Os maratonistas daquela época acreditavam que ingerindo brandy, durante a corrida teriam uma melhora da performance física. Ainda hoje, por incrível que pareça, alguns atletas acreditam que a ingestão de pequenas doses de bebida alcoólica poderia melhorar seu desempenho reduzindo a tensão e aumentando sua auto-confiança.

A RELAÇÃO ENTRE ÁLCOOL E PERFORMANCE

Devido à sua rápida absorção pelo organismo e ao seu alto conteudo energético, muitas vezes o álcool tem sido visto como um agente ergogênico (capaz de melhorar o desempenho físico). Na realidade o que ocorre é exatamente o contrário. O álcool deprime as funções fisiológicas solicitadas durante a atividade física. Em um estudo recente, 9 homens saudáveis (21 a 26 anos de idade) ingeriram durante 1 hora uma pequena quantidade de álcool. O limite era estabelecido pela dosagem sanguínea considerada legal para fins de liberação para dirigir automóvel.

O resultado foi uma depressão da função cardíaca caracterizada pela redução do volume de sangue que o coração ejetava em cada batimento. A consequência desse efeito é uma menor quantidade de sangue e oxigênio que o coração poderia mandar aos músculos durante o exercício. Os pesquisadores concluíram que o álcool deprime o coração mesmo em indivíduos jovens. O álcool também deprimia a respiração estabelecendo portanto um conjunto de efeitos na direção contrária do que um atleta poderia esperar.

EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE AS DEMAIS QUALIDADES FÍSICAS

O Colégio Americano de Medicina Esportiva estabeleceu um parecer à respeito do uso de álcool nos esportes. Os 2 pontos principais foram:

1 – O consumo de álcool prejudica a habilidade esportiva em modalidades que solicitam tempo de reação rápido, equilíbrio, precisão e coordenação motora.

2 – O álcool diminui a força, potência muscular, velocidade, resistência muscular localizada e resistência cardio-vascular.

Professor Turibio Leite de Barros

Fisiologista do Esporte e Fisiologista do São Paulo Futebol Clube
Talvez a notícia mais desagradável para os consumidores de álcool, principalmente para os atletas de fim de semana que costumam celebrar com uma cervejinha ao final das peladas, seja o que se constata na recuperação. Em primeiro lugar, apesar de seu alto conteudo calórico, sua energia é de lenta obtenção sendo metabolizado no fígado e não nos músculos. Assim a necessária reposição de carboidratos na recuperação é prejudicada.

Por outro lado, no caso particular da cerveja, famoso “reidratante” após os jogos, ela não cumpre seu propósito de repor a água perdida pelo suor. A razão deste fato é que o álcool tem um potente efeito diurético, provocando enorme perda de água pela urina.

Assim, se justifica o fato de que depois do jogo de futebol, da cervejada subsequente e da soneca absolutamente necessária nas tardes de fim de semana, se acorda com a boca sêca e inadiável vontade de urinar. Este não é, com certeza, um modelo ideal de recuperação pós-exercício!


Professor Turibio Leite de Barros
Fisiologista do Esporte e Fisiologista

*O conteúdo das informações deste texto são meramente informativas e não substituem uma consulta médica.*

FONTE: http://www.diegoleitedebarros.com.br/texto_area_detalhe.asp?idt=69&search=alcool-e-exercicio-prof.-turibio-leite-de-barros