17 janeiro 2011

PLANEJAMENTO E PERIODIZAÇÃO NO FUTEBOL MODERNO

PLANEJAMENTO E PERIODIZAÇÃO NO FUTEBOL MODERNO
Prof. Marcos Antonio Chioquetta

INTRODUÇÃO

Quando se fala em Preparação Física no Futebol, seja nas categorias de base ou no futebol profissional, visando as competições pertinentes à temporada a ser trabalhada, uma das principais preocupações será a formação de uma Comissão Técnica altamente qualificada na área do Treinamento Desportivo.
Em seguida, o foco será a elaboração de um planejamento que possa ser enquadrado dentro da realidade do clube em que será desenvolvido o trabalho. O Preparador Físico deve estar embasado cientificamente, já que grandes resultados desportivos da atualidade são frutos dos grandes descobrimentos científicos. Deverá também ter um planejamento bem orientado e definido dentro dos princípios de treinamento desportivo no que diz respeito a programação, organização e controle do planejamento. Mourinho (2001) define a periodização como “aspecto particular da programação relacionada com uma distribuição no tempo, de forma regular, dos comportamentos de jogo, individuais e coletivos, assim como, a subjacente e progressiva adaptação da equipe a nível técnico, físico, cognitivo e psicológico”.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL:
Proporcionar à equipe de futebol onde será executado o trabalho, um alto nível físico, técnico, tático e psicológico, para que possam enfrentar em condições de superioridade as diferentes equipes de futebol dentro do calendário esportivo da equipe a ser trabalhada.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a) Preparação Física
- Analisar o estágio físico atual da equipe;
- Ministrar o trabalho físico necessário para progressão física da equipe de acordo com suas respectivas fases;
- Divisão do macrociclo em períodos e fases;
- Sistematizar e programar os conteúdos do processo de treinamento.

b) Preparação Técnica
- Ministrar trabalhos específicos e necessários, visando colocar a equipe em condições de dominar todos os elementos fundamentais do jogo, tais como: chute, passes, controle de bola, cabeceios, finalizações e antecipações etc.

c) Preparação Tática
- Oferecer a equipe, condições estratégicas, esquemas e sistemas de jogo, para que possam enfrentar com êxito os adversários, de acordo com as situações de jogo.

d) Preparação Psicológica
- Através de palestras variadas, os atletas serão preparados psicologicamente para que possam responder positivamente aos estímulos psicológicos que surgirem nas situações de treinos e jogos.

REGIME DE TRABALHO

Sempre que possível e de conformidade com os jogos do(s) campeonato(s) a serem disputados, serão oferecidas 02 sessões de treinamento com duração de 01 hora a 01 hora e vinte minutos aproximadamente, ou apenas uma sessão de treinamento diário.

PERIODIZAÇÃO DO TRABALHO

I - PERÍODO PRÉ-PREPARATÓRIO - (Primeira semana, antes ou depois dos treinos):
Compreende um período de fundamental importância para a maximização do processo de treinamento. Será realizado por toda a Comissão Técnica, reunindo todas as informações necessárias para o planejamento a ser desenvolvido, pois é nele que se levantam as variáveis a serem trabalhadas no decorrer da temporada. Este período engloba os testes físicos, exames médicos, etc.

II – PERÍODO PREPARATÓRIO - Fase básica (03 semanas)
Este período consiste na preparação geral e compreende a maior fase do macrociclo. Deve-se dar ênfase na grande intensidade e baixo volume, sendo principal objetivo do período preparatório, o desenvolvimento da condição física, com grandes volumes de trabalho. O objetivo é o desenvolvimento físico da resistência e da força muscular. Neste período, devem-se evitar as competições, a fim de preservar o atleta. Cerca de 60% dos trabalhos serão físicos, 30% trabalhos técnicos e 10% com treinamentos táticos.

III – PERÍODO PREPARATÓRIO – Fase Específica – (03 semanas)
Este período será estritamente específico e individualizado, com aumento da intensidade e a diminuição de aproximadamente 20 a 30% do volume. É a fase mais importante do treinamento. No período específico devemos estimular a competição ao máximo. Será dada ênfase na parte técnica, com cerca de 40% do volume dos treinos, a parte física com 30% e o demais 30% para a parte tática. Sendo assim, o Preparador Físico irá trabalhar as deficiências individuais, ou seja, o atleta que se encontrar abaixo da média do grupo em alguma valência física, será trabalhado até atingir uma condição física em condições satisfatórias ao restante do grupo.

IV – PERÍODO DE COMPETIÇÃO – Manutenção – (Até o final da competição)
Neste período, o objetivo é o aperfeiçoamento das qualidades físicas, técnicas e principalmente táticas obtidas nos períodos básicos e específicos. Nesta fase, ocorre o que chamamos de polimento da equipe e procura-se fazer a manutenção dos resultados obtidos. As avaliações serão de extrema importância a fim de se detectar a fadiga nos atletas ou alguma valência física que necessite ser aperfeiçoada. Então teremos 60% de trabalhos táticos, 30% de trabalhos técnicos e 10% de trabalhos físicos. As atividades físicas terão o caráter de manutenção, podendo ser individualizado ou em grupos. Neste período é inevitável um nível de desgaste físico e emocional muito grande, havendo a necessidade do incremento de treinamentos regenerativos, devido a quantidade de jogos em uma mesma temporada. Este tipo de treino deverá ser planejado com o auxílio do fisiologista, nutricionista e psicólogo.

V – PERÍODO DE TRANSIÇÃO
Compreende o último período do macrociclo. Ocorrerá após o período competitivo e até o período pré-preparatório da próxima temporada. Tem como objetivo principal, a recomposição do sistema nervoso central e periférico. Haverá então a perda parcial do condicionamento físico (férias). Aplicando-se uma recuperação ativa, o estado de destreinamento será gradual e mais lento. Neste período os integrantes da comissão técnica iniciam também o planejamento da periodização da próxima temporada.

MÉTODOS DE TREINAMENTO

• Método de treinamento contínuo (80 a 85% do limiar anaeróbio)
• Fartlek (corridas lentas e rápidas)
• Treinamento intervalado (com ou sem bola)
• Treinamento em circuito
• Pliometria
• Trabalhos técnicos
• Trabalhos táticos
• Técnico-tático
• Coletivos

LOCAIS DE TRABALHO

• Treino de Resistência: Local Gramado, ou pista emborrachada ou com pequena camada de areia.
• Treino e Força: Academia com aparelho para todos os grupos musculares e caixa de areia.
• Treino de Velocidade: Local gramado
• Treino de Recuperação Muscular: Piscina aquecida e piscina natural para hidroginástica e gelo.
• Treino Técnico e Tático: Campo de futebol padrão.

IDENTIFICAÇÃO DAS QUALIDADES FÍSICAS INTERVENIENTES AOS FUTEBOLISTAS

Qualidades Físicas Fase Básica Fase Específica Período de competição Período de transição
Resistência aeróbia X x
Resistência anaeróbia x x
Flexibilidade X x x x
RML X x
Agilidade x x
Velocidade de movimento x x
Força dinâmica x x x
Força estática X x


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DANTAS, ESTÉLIO. A prática da Preparação Física.
Rio de Janeiro: Editora Shape, 1994. 321 p
GODIK, MARK. Futebol preparação dos futebolistas de alto nível. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sport, 1996. 182 p
MATVEEV, LEV. Treino desportivo metodologia e treinamento. São Paulo: Editora Phorte, 1997. 140 p
MULLER, PAULO. Planejamento de Pré Temporada p/2008.
Volta Redonda – RJ.
MOURINHO, J. (2001), “Programação e periodização do treino em futebol” in palestra ESEl, no âmbito da disciplina de POAEF.

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